LUGARES DE AUSÊNCIA

(ongoing)

pt

A série “Lugares de Ausência” é um exercício do olhar. Uma manifestação natural. Desenhos levantados pelo Homem, abandonados e descuidados, agora conquistados pela natureza. Prova de que o domínio natural é mais extenso que o humano. Uma construção humana arruinada pelo dom do esquecimento.

A ruína torna-se elemento central nesta proposta autoral; um lugar fantástico capaz de projetar o desejo, o sonho e a saudade de um tempo que, ao limite, nunca foi. María Zambrano afirma que é na contemplação da ruína que se ativa o “fascínio peculiar (…) da tragédia que é viver humanamente e daquilo que palpita no seu fundo”. Só encarando a ruína material o sujeito consegue chegar à ruína interior; ao seu vazio, aos seus desejos, à saudade de algo que nunca teve. Por isso, a ruína é ponte poderosa para o entendimento do sujeito. É a possibilidade de viver o que não se vive, de ter o que não se tem; de sobrevivência, já não do que foi, mas do que não conseguiu ser. A ruína é desejo íntimo do sujeito.

“Lugares de ausência” procura lugares que denunciam o vazio onde o sujeito se pode encontrar.